13 setembro 2005

A igreja é uma sociedade à parte?

Esta é uma questão pertinente. Somos uma sociedade à parte, e é nosso papel converter as pessoas à nossa sociedade? Ou fazemos parte da mesma sociedade que as outras pessoas? A igreja está inserida na sociedade? De que forma?

Eu creio que não somos uma sociedade à parte, e que o facto de nos vermos muitas vezes como uma sociedade à parte, leva a que nos tornemos pouco relevantes para a sociedade actual. O cristianismo é acultural, não depende de nenhuma cultura específica. Uma pessoa não precisa mudar a sua cultura para se tornar cristão, mas sim viver o cristianismo devidamente inserido na sua cultura e sociedade.

Ao nos tornarmos uma sociedade à parte, com a sua cultura, costumes e regras próprias, criamos barreiras à mensagem de Cristo. Tornamos o processo de conversão mais difícil. Fazemos o oposto do exemplo que Cristo nos deixou. Ele estava devidamente inserido na sociedade, estava onde estavam os pecadores, comia e bebia ao lado deles, partilhava das tristezas deles, estava nas suas festas, e tudo isso sem comprometer o que ele era (e é) e a sua mensagem.

4 comentários:

Anónimo disse...

Considero que tal como está a igreja é sem duvida uma sociedade á parte, uma socieade, velha, decadente e xeia de vicios...
Penso sem duvida e respondendo aos outros dois posts seguintes, que a igreja enquanto instituição nao consegui mais do que criar um "rebanho" de seguidores que tem de ser constantemnte relembrados daquilo que são: pecadores eternos, perdedores, fracos et etc, tal e qual como num partido politico a vontade individual é anulada em prol da colectiva, mas será mesmo colectiva, ou individual e distribuida igualmente por todos?? Se bem me lembro, mesmo sendo Agnostico, Jesus nao queria nenhuma instituiçao de seguidores, queria apenas que as pessoas reflectissem ácerca da sua situação e dos demais e agissem para muda-las, nao é isso que se verifica na igreja dos nossos dias, digo mesmo que desprezo a igreja, nas questoes sociais tudo bem, que muitos fizessem oq faz(algumas ONGS ate fazem mas poucas...) mas nas questoes sociais e existenciais do chamado "cidadão comum" é mais uma especie de tribunal da moral" com toda a arrogancia inerente a tal acçao. OS homens e mulheres da religião devem reflectir seriamente no rumo em que a sua crença se encontra, e se querem mante-la e condena-la ou mudar e ajusta-la a uma sociedade em constante mudança, e orfã de etica e moralidade, nao era isso afinal que jesus queria?? Jesus e qualquer humanista digno desse nome, pois bem juntem-se crentes, humanistas e pessoas descontentes para se fazer a tao necessaria mudança de mentalidades

Nuno Barreto disse...

Eu tenho uma visão um bocado diferente de Jesus. O papel da igreja é fazer discípulos de Cristo, como me parece claro no fim do livro de Mateus. Mas ser seguidor de Cristo vai muito além de fazer parte de um clube de pessoas que acreditam no mesmo. Ser seguidor de Cristo é seguir o seu exemplo. O exemplo de amor ao próximo, de serviço aos desfavorecidos.

Quanto à classificação de Jesus como humanista, bem, acho que não é assim. Pelo menos pelo que compreendo do humanismo, o humanismo é a humanidade a resolver os seus problemas pelos seus próprios meios, sem necessitar de Deus. Jesus defendia que o homem não tem capacidades de se safar sozinho, e que só através dele isso poderia acontecer.

Allan Jost disse...

Pois é uma tensão necessária para o Reino de Deus, entre “no mundo” e “do mundo”. Temos num lado as imagens do fermento que age para fermentar a massa toda e no outro lado temos Jesus a formar uma companhia dos comprometidos (discípulos) que formam um tipo contra-cultura que é sal e luz para um mundo insípido e escuro, uma cidade num monte. Acho que confundimos o Reino com a igreja com tanta frequência em nossas cabecinhas que as coisas começam a ser sinónimas, creio que a igreja deve localizar-se no centro do Reino de Deus, mas é este Reino que age em sociedade para que surgem novas comunidades do Reino, que são chamadas “igrejas”. Uma igreja que identifica-se completamente com o movimento do Reino é uma igreja “missionária” no melhor sentido.

Veja bem, o Reino (A iniciação do Pai, na pessoa da Palavra Viva, Jesus, através do mover do Espírito Santo) age na sociedade criando a comunidade de fé (irmandade) que tem de ser inserida na sociedade para poder continuar no movimento do Reino. Separar o fermento da massa é matar sua acção e seu propósito, e logo deixa de ser um ser vivente.

Paula disse...

POis é, Nuno, compreendo e concordo! A Igreja~não pode estar à margem da sociedade... pode, mas não é como Jesus fez.