15 julho 2005

Solidariedade telescópica

Mandar dinheiro para os pobrezinhos em África é que é bom. Sim, porque não nos custa quase nada, só uns trocos. Mas ajudar os que estão perto, isso já é pedir demais. É só desvantagens. Temos de gastar do nosso tempo, temos que os aturar, com os seus problemas, com os seus cheiros. E obviamente que isso influencia a nossa vida, e estraga tudo. Preferimos dar um pouco de dinheiro, amenizar as nossas consciências, e levar a nossa vida como se nada se estivesse a passar à nossa volta.

Mas a verdade é que há problemas à nossa volta que precisam de ajuda urgente. E se nós não ajudarmos, quem ajudará?

4 comentários:

Filipe Spinner disse...

Nuno, acho que chegaste ao ponto fulcral da questão. A consciência. È que ela pesa-nos se não aderir-mos às campanhas de combate à fome em África ou à catástrofe na Ásia. Diria mais, a nossa consciência é que é telescópica, simplesmente porque não temos nenhuma para as tais curtas distâncias.

Elda disse...

E é verdade...

dhuoda disse...

Infelizmente, para os que sofrem, é preciso uma solidariedade telescópica, porque a dor e sofrimento que queremos apaziguar é bem longínqua e a nossa resposta é sempre insuficiente. Mas, há uma outra solidariedade,a dos olhos nos olhos,que se pratica nas noites da cidade onde os sem abrigo,também meus irmãos,precisam de pão, medicamentos, um cobertor, um sorriso,precisam de ser tratados pelo nome.

Nuno Barreto disse...

Sem dúvida, se as coisas fossem ao contrário, estaria aqui a criticar a falta de solidariedade telescópica